20150617

"Diziam-me: é preciso substituir a tralha do PS"

 
Durou apenas cinco meses à frente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro. Este professor de robótica no departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra, de 48 anos, dá um testemunho sobre o que foi resistir às pressões partidárias. "Ninguém quer que você pense em nada", denuncia. Foi do PSD. É vereador da oposição na câmara de Condeixa. Depois de tudo o que viu, desfiliou-se. Eis o depoimento de Norberto Pires na íntegra. Na primeira pessoa:

"O primeiro choque que tive ao chegar à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional Centro (CCDR) foi quando percebi que ninguém quer que você pense nada, nem que organize equipas. Querem apenas alguém que mantenha o status quo e que distribua o dinheiro.
Antes de assumir as funções de presidente da CCDR, no início de 2012, eu era presidente do conselho de administração do Iparque de Coimbra, um parque de ciência e tecnologia que tem como objectivo instalar empresas e atrair investimento estrangeiro e nacional. No fundo, é um acelerador de empresas. Sou professor de robótica no departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra.
O convite para a CCDR apareceu de forma difusa. Houve uma intervenção do primeiro-ministro, pois eu conhecia vagamente Pedro Passos Coelho antes chegar ao Governo, como apoiante das suas candidaturas. Sondaram-me na sequência do meu trabalho no Iparque e quem me nomeou foi a ministra Assunção Cristas. Durou apenas cinco meses, de Fevereiro a Julho de 2012. Nunca tinha tido cargos políticos, apesar de ter feito parte da comissão política distrital do PSD em Coimbra, com as minhas opiniões muito próprias. Filiei-me no PSD um dia depois de José Sócrates ganhar as eleições em 2005. Saí do partido em Dezembro de 2014.
Sempre recusei recrutar pessoas por causa da filiação partidária na CCDR, apesar de o partido o exigir. Queriam que eu demitisse Ana Abrunhosa, uma socialista que era vogal do Mais Centro, a entidade responsável pelo QREN [fundos europeus], que também dependia de mim. Quando entrei devem ter pensado: aquele tipo nomeado pelo PSD é um boy e faz o que o partido manda. Não foi assim.
Não conhecia isto na sua verdadeira extensão. Não é a corrupção. É uma certa influência que Lisboa tem sobre as pessoas e os cargos. O próprio Almeida Henriques, então secretário de Estado da Economia [seria depois eleito presidente da câmara de Viseu], exigia a demissão dela. Havia nomes sugeridos, soprados por terceiras figuras. Fui encontrá-la num gabinete asséptico. Já tinha arrumado tudo. Conversámos. Antes disso falei com o primeiro-ministro por SMS. Disse que não concordava com a demissão da senhora. Era absurdo. Ela era a responsável pelo QREN desde 2008, era a gestora principal do programa quadro. Se matássemos tudo o que lá estava, ficávamos sem histórico. O primeiro-ministro achou sensato. Mas a relação não correu bem. Ela acabou por me trair.
As pessoas têm de ser competentes, mas há uma regra: têm de ser leais. Das duas primeiras pessoas que nomeei, uma tinha estado ligada à Juventude Comunista e a outra era casada com um dos dirigentes do Bloco de Esquerda na região centro, o José Reis, que chegou a ser secretário de Estado do PS. Ela era a pessoa que mais trabalhava e que tinha ideias. Pu-la a coordenar o grupo de investimento do centro. Considerava aquilo fundamental. Foi um choque frontal com o status quo do partido. Quando entra um tipo conotado com uma área política, estão à espera que substitua toda a gente. Quando isso não acontece é anormal e as pessoas ficam desconfiadas. Nas instituições públicas os funcionários estão à espera da alternância nos lugares conforme o partido que está no poder.
As CCDR são encaradas como prateleiras. Encontrei pessoas com enormíssima competência ao nível estatístico ou na gestão do território, tudo emprateleirado. O que os partidos querem é tirar todas as direcções de serviços e meter novas, da sua cor. Não organizei nenhum concurso para as direcções de serviços e mantive as pessoas que já lá estavam. Ainda não havia lei-quadro [que define a estrutura das CCDR]. Quando a lei-quadro entrasse em vigor, caíam as direcções todas, mas, entretanto, enquanto estavam em funções, eu podia avaliá-las. No partido, achavam que era o momento de se fazerem as substituições porque depois quando fosse o concurso essas pessoas já tinham experiência para serem nomeadas. É uma forma de viciar os concursos. Diziam-me: "Só os outros é que são bons? Nos nossos não há ninguém que seja bom? É preciso substituir a tralha socialista..."
Havia lá os socialistas que foram nomeados politicamente e que saíram com as equipas de topo. Os que são funcionários das estruturas têm medo. Tive traições de pessoas que passavam informação. Quando desconfiava de alguém, passava-lhe informação e depois via quem era o responsável pela fuga. Mandei embora uma pessoa por causa disso. Passei a estar na mira da sede nacional do partido. Afinal quem é este gajo que não faz o que lhe mandam? Não aprovei certos projectos que cheiravam a esturro. Quando me pareciam estranhos, não os metia na agenda e empalhava. Chocou com enormes interesses, até de ministros…
A certa altura, quando o Governo estava a reduzir o número de Centros de Saúde e a refazer o mapa judiciário, o ministro-adjunto Miguel Relvas pediu um mapa das infraestruturas do Estado. A ideia de racionalização era boa, para haver uma partilha entre os concelhos. Eu decidi sugerir também a localização dos parques de ciência e tecnologia e dos parques industriais abandonados. Fomos apresentar o projecto no Conselho Regional do Centro [onde estão representadas as autarquias, empresas, universidades, etc.], que na época era presidido pelo Álvaro Amaro, então presidente da câmara de Gouveia.
Cinco minutos antes de começar, já eu estava sentado na mesa, recebo um telefonema do chefe de gabinete do secretário de Estado Afonso Paulo [do Ambiente] a dizer que estou proibido de apresentar o projecto Invest Centro. Mas porquê? Porque estas coisas tinham de ser coordenadas com o secretário de Estado. Eu digo que estou a cinco minutos da apresentação. E o chefe de gabinete diz: isto é uma ordem directa. O Almeida Henriques estava ao meu lado. Disse-lhe. E ele também mostrou desconforto.
Desobedeci. Achei que isto se enquadrava nas estritas competências das CCDR. Só não assinei os protocolos previstos com o AICEP porque tinha recebido uma ordem directa, mas apresentei o projecto. Não conhecia o poder dos chefes de gabinete. É um poder à parte. Comunicam todos uns com os outros.

Certa vez apareceu-me um presidente de câmara acompanhado por um empresário brasileiro que tencionava construir um hotel numa zona de reserva, o que implicava um estudo de impacto ambiental, com um campo de golfe com mais buracos do que o permitido. Foram pressionar-me para dar andamento ao processo, porque era um investimento que se ia perder. Eu disse que havia leis e regras a cumprir. O brasileiro explicou que precisava de um compromisso e eu respondi que não reduzia a qualidade nem a assertividade da avaliação. Reduzia os prazos ao mínimo legal de 60 dias, garantindo a assertividade máxima. O presidente da câmara contorcia-se. Não abriu a boca durante a conversa e estava constrangido. Aquilo era essencial para ele, um investimento que podia decidir eleições. Fez um papel um bocado triste. Para contornar o excesso de buracos no campo de golfe, o brasileiro argumentava: "Dividimos aquilo em quatro ou cinco campinhos e depois junta-se tudo". Eu disse-lhe: "O senhor é um artista". E ele respondeu: "Isto não tem nada de ilegal." Não queria acreditar: "Então o senhor não vê nada de ilegal nisto?" O projecto acabou por ter um estudo de impacto ambiental negativo.
 
Nessa época, outro artista chamado Rogério Gomes, que tinha criado o Instituto do Território [e agora é presidente do Gabinete de Estudos do PSD] que é uma coisa privada, não é um instituto, andou a dar entrevistas a dizer que as CCDR eram um buraco negro, um bando de incompetentes. Uns dias depois, Pedro Santana Lopes daria uma entrevista mais ou menos a dizer o mesmo. Então, escrevi um artigo no Público a responder. Recebi um telefonema do chefe de gabinete da ministra [Assunção Cristas] a dizer que posso escrever artigos, mas antes precisam de validação superior. Quando dei outra entrevista ao Jornal de Notícias a falar dos objectivos para a região centro, também recebi um telefonema do chefe de gabinete da ministra a dizer a mesma coisa. As minhas entrevistas causavam desconforto e tinham de ser coordenadas. Tinha de pedir autorização para dar as entrevistas. Penso que a reacção nem era da ministra, mas de outros secretários de Estado incomodados com o meu protagonismo.

Entretanto, apareço no Prós-e-Contras e não comuniquei que ia. Fui de forma pessoal, para falar da experiência do Inovparq e de inovação. Não ia em funções de CCDR nem aparecia o cargo no ecrã. Deu um brado enorme e recebi vários avisos a dizer que tinha intervenções que desagradavam aos membros do Governo.
Entretanto, houve uma cerimónia de assinatura pública, em Évora, do primeiro contrato assinado com o Jessica Holding Fund, que financia projectos de reabilitação urbana e de actividades económicas em cidades. Quando ia no carro, ligou-me o chefe de gabinete do secretário de estado Almeida Henriques a perguntar se eu podia enviar ao secretário de Estado as notas do que ia dizer, para não lhe tirar os soundbites. Então mandei as notas que ainda estava a preparar por SMS. Mas ele voltou a telefonar e a dizer que o secretário de Estado falava primeiro e depois eu. Até me ofereci para não falar, não havia problema. Quem fecha os eventos são os membros do Governo. Ele disse-me aquilo que o secretário de Estado ia dizer. Tudo bem. Acordo total. Mas houve um percalço e eu e o meu motorista enganámo-nos no local. Atrasámo-nos uns 15 minutos. Quando chegámos, o secretário de Estado já estava a falar.
Acho que ele decidiu falar primeiro para dizer as coisas todas antes. Houve mais telefonemas sobre protocolo, se ele se sentava à direita ou à esquerda... Fico onde vocês quiserem, disse eu.
Só que quando entro na sala ele já está a falar. Olho para a mesa e não vejo nenhum cartão com o meu nome. Faço-me de idiota. Vou para a mesa e sento-me no lugar onde dizia "Almeida Henriques". O homem ficou a olhar para mim. Deram de imediato a cerimónia por encerrada, porque ele não tinha sítio onde se sentar…
O Governo tinha nessa época a troika e o emprego em queda livre. Criaram então um programa para o emprego jovem e não havia dinheiro. Onde havia verbas era no QREN e já estavam em grande parte comprometidas. Era necessário fazer uma operação de limpeza de projectos que não tinham viabilidade para libertar os fundos. Ganhei um conjunto de inimigos ao tirar projectos a docentes universitários que não me perdoam. Analisei os contratos todos. Os presidentes das câmaras começaram a ver as coisas mal paradas para as eleições. Alguém tinha de assumir isto politicamente. Então, o secretário de Estado Almeida Henriques veio reunir-se com os 101 presidentes de câmara da região centro. Os autarcas mostravam algum desconforto por estarem a perder projectos.
A decisão política tinha de ser apresentada aos presidentes de câmara por Almeida Henriques. O que que fiz foi acertar com o secretário de Estado, antes da reunião, o que ia ser dito, para não haver surpresas e para nos coordenarmos. Chegou muito atrasado. Mais de uma hora. Por sugestão do chefe de gabinete, começou-se antes.
Quando Almeida Henriques chegou, como já estávamos a trabalhar, pedi ao vice-presidente da CCDR para o ir buscar à porta. O homem ficou pior do que estragado e fez saber a toda a gente que eu não o tinha ido receber. Também havia de sair nos jornais que eu tinha desrespeitado um secretário de Estado em termos protocolares.
Todos os presidentes de câmara estavam a fazer críticas. Até que o Álvaro Amaro, de Gouveia, se vira para nós e diz: "Tudo bem, acredito que as coisas estão a ser feitas desta forma. Mas livrem-se, livrem-se de me estar a enganar, que eu dou-vos um tiro, a si e ao secretário de Estado". Foi em tom jocoso, não era a sério.
Depois de o secretário de Estado intervir, eu digo que gostava de falar. O chefe de gabinete tem pressa. Abro o computador e projecto uma imagem de um quadro com as contas, para mostrar quais eram as consequências para a região e para determinados projectos, com um pequeno resumo. As pessoas tinham de ter consciência das consequências. O discurso do secretário de Estado era que tudo seria muito pacífico e que eu ia depois fazer com eles o trabalho de filigrana. Eu disse que fazia o trabalho de filigrana, mas as consequências seriam aquelas. Elencava os projectos que caiam. O secretário de Estado tentou abreviar aquilo, foi uma atrapalhação para eu não mostrar. Saiu mais uma vez irritado comigo. A reunião terminou sem mais discussão.
Enviei esse relatório a muita gente, ao primeiro-ministro, ao ministro da Economia, ao ministro da Ciência, a uma série de secretários de Estado de várias áreas. É de alguma maneira uma forma de ultrapassar o superior hierárquico.
Cerca de uma semana depois, a ministra Assunção Cristas chama-me para uma reunião. Quando vou a caminho de Lisboa, tento falar com o primeiro-ministro. Envio então uma mensagem a dizer que que vai acontecer a demissão. Telefona-me o chefe de gabinete do primeiro-ministro a dizer que que ele quer falar comigo, mas está na reunião com o Presidente da República. Ia ligar-me mais tarde, mas não ligou.
Passei duas horas à espera na antecâmara do gabinete da ministra. Não fiz mais nenhum contacto. Quando ela me recebeu, teve um lapsus liguae: tinha falado com o ministro-adjunto [Miguel Relvas], aliás, com o primeiro-ministro. Disse que as coisas são como são e que chegaram à conclusão de que eu não era a pessoa certa e que esta relação tinha chegado ao fim. Respondi que naquele dia não havia nada que me aborrecesse. Só tinha recebido dois telefonemas: um do chefe de gabinete do PM e outro da minha mulher a dizer que estava grávida…
Combinei que enviaria o pedido de demissão mal chegasse a Coimbra. Foi o que fiz. Entretanto seria nomeado para presidente da CCDR Centro o Pedro Saraiva [que será o deputado relator da comissão de inquérito do BES], que se demitiu quando foi decidido que estes lugares iam ser avaliados pela CRESAP e ele era contra. Achava que devia ser por nomeação e voltou ao Parlamento. Eu decidi concorrer ao lugar, porque queria demonstrar que era assim que se deviam nomear as pessoas. Os três seleccionados foram Ana Abrunhosa, António Queiroz… e eu. Mas foi nomeada a Ana Abrunhosa, que acabou por ser defendida pelas mesmas pessoas que antes exigiam a demissão dela.
Um ex-presidente de uma CCDR perguntou-me porque é que concorri e disse que entre os três era fácil escolher. "Tu saíste em choque. O outro [António Queiroz] tinha um problema [com a insolvência de empresas]. A única hipótese era ela". Ainda me disse que eu, ao concorrer, tinha tirado a possibilidade de um boy do PSD estar entre os três finalistas e ser escolhido. Uma das pessoas que eles queriam colocar terá ficado em quarto ou quinto lugar.
Hoje não recomendo a ninguém ser militante de um partido. São sítios de maus costumes. O que se aprende é que tendem a gerir as coisas de forma condenável. Nada tem a ver com ética nem a nada se pode aplicar a palavra ética."
 


20150612

Lisboa, Portugal, 14 de Novembro de 2012

Para não esquecer as cargas policiais do governo PSD/CDS de Passos Coelho. Esta foi uma das piores.

20150510

Fascismo: Um perigo real a tomar a sério

 
 
Em numerosos países e de forma particular nas cidadelas do capitalismo – Europa e América – multiplicam-se e ganham intensidade as organizações, manifestações e propaganda fascista e fascizante.
 
A influência e a impunidade de que gozam não param de crescer. Algumas destas organizações alcançaram percentagens eleitorais altamente significativas. A sua influência a nível dos órgãos de poder, de forma aberta ou encoberta, acentua-se e alguns partidos neo-fascistas têm integrado governos na União Europeia.
 
Simultaneamente perseguem-se comunistas e sectores democráticos. Procura-se criminalizar o comunismo e elevar o anti-comunismo à categoria de ideologia de Estado. Limitam-se direitos dos trabalhadores e as liberdades em geral.
 
O fascismo não é coisa do passado, nem é um fenómeno episódico. A existência do fascismo tem uma base objectiva: o sistema capitalista. As expressões mais ou menos virulentas do fascismo têm a ver com o agudizar das crises do capitalismo e sua capacidade para encontrar, ou não, saídas para a crise por meios ditos democráticos.
 
O fascismo não é, consequentemente, uma forma política-ideológica separada do poder económico, que determina a natureza do poder.
 
A experiência portuguesa – passada e presente – é, a este respeito, bastante esclarecedora. Em Abril de 1974, o povo português pôs fim à mais longa ditadura fascista que o mundo conheceu. Uma ditadura fascista que ao fim de 48 anos de opressão deixou um rasto de assassinatos e dezenas de milhares de antifascistas presos e torturados. Uma ditadura que sobreviveu à derrocada do nazi-fascismo no final da II Guerra Mundial com a a ajuda determinante das chamadas democracias ocidentais – Inglaterra e América –, para quem a sobrevivência do fascismo português (e também espanhol), campeão do anti-comunismo, se lhes apresentava como aliado estratégico de particular importância.
 
Sendo o fascismo português o governo terrorista dos monopólios e dos grupos financeiros e dos agrários associados ao imperialismo estrangeiro – os grandes beneficiários da ditadura e seu suporte social fundamental – a revolução antifascista não poderia limitar-se a mudar o regime político. Teria obrigatoriamente de liquidar o poder económico do fascismo, como condição para a defesa das liberdades e do próprio regime democrático. Foi isto que fez a Revolução de Abril de 1974 em Portugal, derrubando a ditadura fascista e liquidando o capitalismo monopolista de Estado, procedendo à nacionalização de todos os sectores básicos da economia e à reforma agrária.
 
Apesar da enorme resistência ao desmantelamento do Estado fascista, resistência de fascistas e de sectores democráticos temerosos com as transformações sociais e as conquistas do movimento operário, a revolução, ainda que não tivesse ido tão longe quanto necessário à defesa do regime democrático, procedeu ao desmantelamento do partido fascista, da polícia política, das organizações paramilitares e das estruturas corporativas-fascistas. A Constituição da República Portuguesa, aprovada em 1976, consagrou a proibição de organizações e propaganda fascistas e racistas.
 
As organizações que procuraram reagrupar as forças fascistas de forma «legal» (Partido da Democracia Cristã, Partido do Progresso), ou de forma ilegal e clandestina (Movimento Independente para a Reconstrução Nacional – MIRN; Movimento Democrático de Libertação de Portugal – MDLP), que se lançaram na acção terrorista, foram derrotadas e desmanteladas.
 
Com o avanço da contra-revolução, a restauração dos grandes grupos económicos e financeiros, a subordinação dos interesses de Portugal aos ditames da União Europeia e da NATO, e a consequente degradação da situação económica e social e perda de soberania nacional, começou a proliferar a propaganda dita patriótica e nacionalista, bem como organizações ilegais e semi-ilegais – Movimento de Acção Nacional, Frente Nacional, Direita Nacional, «Skineheads» – assumidamente fascistas, adoradores de Hitler e de Salazar, combatentes anti-comunistas e racistas.
 
Organizações que, embora minúsculas do ponto de vista da adesão alcançada, levaram a cabo acções provocatórias contra forças progressistas e imigrantes, que se traduziram nos assassinatos de um activista de esquerda e de um negro cabo-verdiano (1995).
 
A partir de Abril de 2000 opera-se uma mudança qualitativa na actividade das organizações fascistas com a criação do Partido Nacional Renovador (PNR), agregador das diferentes organizações neo-nazis e sua cobertura legal, tendo nas suas fileiras assumidamente dirigentes daquelas organizações, incluindo «Skinheads».
 
Não tendo conseguido recolher as 5000 assinaturas necessárias na altura à legalização de um partido político, os neo-nazis ultrapassaram este obstáculo formal comprando a sigla e a logística de um partido desactivado e endividado, o PRD (Partido Renovador Democrático), passando a ter, deste modo, sedes, concorrer às eleições, realizar manifestações públicas e acesso a tempo de antena sob a sigla do PNR.
 
Formalmente o PNR assume-se como «partido de direita nacionalista», que tem por objectivo «a justiça social», «o combate ao capitalismo selvagem, ao comunismo e à luta de classes» e a «defesa da pátria» subordinada às ordens de Bruxelas. As suas acções práticas têm um forte cunho xenófobo e racista, reivindicando a expulsão dos imigrantes, considerados invasores da pátria.
 
Tendo como «guia e mestre» Jean Marie Le Pen e a sua Frente Nacional, mantém relações internacionais com organizações neo-nazis em quase toda a Europa. Em 2007, coincidindo com o aniversário de Hitler esteve agendado para Portugal um Encontro Internacional de organizações fascistas, que não se chegou a realizar devido à forte reacção democrática e popular contra a sua realização.
 
Sendo embora de composição social heterogénea, no PNR predominam elementos da pequena-burguesia (funcionários públicos, comerciantes, industriais, professores e jovens universitários), com nula ou quase nula expressão nos meios operários.
 
A visibilidade mediática e os meios financeiros de que dão mostra são desmedidos em relação à fraca mobilização que conseguem nas ruas e actos públicos (100/200 pessoas). Os resultados eleitorais para a Assembleia da República, apesar de pouco significativos (0,07% de votos em 2002; 0,16% em 2005; 0,36% em 2011; e 0,4% para o Parlamento Europeu, em 2009, revelam um crescimento sustentado e sendo embora pouco expressivos no universo eleitoral nacional representam, em 10 anos, um crescimento de 500%.
 
A benevolência, a impunidade e mesmo a cumplicidade de que gozam por parte dos poderes constituídos é flagrante, em contraste com as acções repressivas contra as manifestações populares de combate às políticas de direita.
 
Com excepção de algumas prisões e condenações de elementos dos «skinheads» implicados nos assassinatos de 1995, dos cerca de 30 presos da Frente Nacional/PNR apenas um dirigente foi condenado por possuir um arsenal de armas ilegais.
 
Os perigos de soluções antidemocráticas e fascistas não podem ser avaliados apenas, ou fundamentalmente, pelo número de organizações fascistas, sua influência e activismo, na medida em que estas organizações não passam da parte visível de um «icebergue» muito mais vasto, com extensões ao poder político e económico.
 
Os partidos de direita constituídos depois do 25 de Abril – Centro Democrático Social (CDS) e Partido Social Democrata (PSD) – absorveram grande número de elementos fascistas, reciclados de democratas. Ministros fascistas já integraram Governos do CDS, PSD e mesmo do Partido Socialista.
 
Destacados responsáveis do regime fascista e agentes da polícia política foram reintegrados na Administração Pública por Governos destes partidos. Cavaco Silva, actual Presidente da República, concedeu enquanto Primeiro-Ministro pensões de mérito a agentes da polícia política fascista, «por altos serviços prestados à pátria».
 
A reconstituição dos grandes grupos económicos e financeiros, a destruição das grandes conquistas democráticas, o agravamento da crise económica e social socavam a base social de apoio ao regime democrático, abrindo caminho a intensa campanha contra a política e os políticos e instituições democráticas (Assembleia da República e Tribunal Constitucional), «caldo de cultura» propício ao desenvolvimento de acções reaccionárias. Campanha esta que é acompanhada de uma outra campanha de branqueamento do fascismo, de negação dos seus crimes e reabilitação de Salazar. «Historiadores» e politólogos negam mesmo ter havido fascismo em Portugal.
 
Os sistemas de informações e repressão de Portugal, integrados num vasto e sofisticado aparelho repressivo de âmbito internacional, são cada vez mais governamentalizados e entrelaçados com grupos económicos e financeiros e, actuando à margem das instituições democráticas, assumem funções de polícia política, vigiando organizações políticas de esquerda, sindicais e manifestações populares contra a política de direita.
 
Os sentimentos antifascistas em Portugal continuam muito vivos. A palavra de ordem «Fascismo Nunca Mais» e «25 de Abril Sempre», continua a ter enorme adesão. O barrar do caminho ao fascismo exige medidas práticas que ataquem as suas causas: as políticas de direita, o poder dos grandes grupos económicos e financeiros, a crise económica e social.
 

20150111

O dia em que os portuenses evitaram que o Menezes fosse para a câmara municipal.

Um discurso que já tinha um atraso de 16 anos, mas mais vale tarde do que nunca. O Porto conseguiu evitar o despesismo e populismo fácil. Foi pena que os gaienses não tenham aberto os olhos antes e tenham mantido este indivíduo no poder, na sua câmara, durante longos 16 anos, onde tudo se gastou, tendo a autarquia ficado à beira da falência.
 
 
 

20141207

Corrupção




Uma ilusão chamada “velho PSD”

Em vésperas do 25 de Abril, um grupo de políticos afastou-se apressadamente da Acção Nacional Popular para poder reaparecer após a implantação do regime democrático sob uma nova veste. A agitação posterior revelou que a designação escolhida — Partido Popular Democrático (PPD) — não era a mais apelativa para se alçar ao poder. Por isso, a formação recém-criada foi então rebaptizada (com um erro ortográfico para todo o sempre): Partido Social Democrata (em lugar de Democrático).

Este grupo de políticos e profissionais liberais, que se uniu para representar a finança e a grande indústria, atraiu a si as forças vivas recauchutadas do Estado Novo e as camadas da população atemorizadas pelo inócuo preâmbulo da Constituição (“abrir caminho para uma sociedade socialista”): catedráticos e analfabetos, patos bravos e publicistas, chupistas do Estado e cantores-pimba, negociantes de ocasião e autoridades locais.

É esta amálgama quase obscena que permite ao PSD aparecer com sucessivas máscaras — até como pregoeiro da “social-democracia”. A verdade é que ter ilusões sobre a sua natureza só conduz a deixar a esquerda desarmada. Vê-se com alguma frequência figuras proeminentes da oposição a fazer apelos ao “velho PSD” — como o fez João Ribeiro, porta-voz do PS, numa entrevista ao Expresso na última semana (na resposta reproduzida na imagem acima).

Acontece que o “velho PSD” anda por aí em peso. Salvo a circunstância de as suas figuras se gabarem de ser mais competentes do que estarolas de Passos Coelho, que alterações de política propõem eles? Nenhumas.

Com efeito, na “Universidade” de Verão do PSD, Marcelo subiu ao palanque para serenar as hostes após o chumbo do Tribunal Constitucional, garantindo que se há-de arranjar forma de despedir os trabalhadores do Estado. Também na “Universidade” de Verão do PSD, Alexandre Relvas, o afamado Mourinho de Cavaco, atiçou, perante o olhar incrédulo dos jotinhas, os filhos contra os pais, apelando a uma total desregulação do mercado de trabalho: “é pais a viverem à conta dos filhos” [sic], disse o protegido de Cavaco. No mesmo local, Leonor Beleza retomou o apelo do Dr. Relvas à emigração dos jovens. Santana Lopes defendeu a necessidade de uma revisão constitucional para o país poder ter uma “constituição que seja neutra, que seja isenta e independente” [sic], tema agarrado por Paulo Rangel para sustentar que a Constituição tem uma “visão demasiado conservadora”.

Onde está o “outro” PSD?
 

20130616

A verdade escondida sobre CAVACO SILVA!!!

Para mim, Sérgio Lemos, este é o artigo, que mais define o Presidente que temos. Quando tivemos um Primeiro Ministro assim, e voltamos a ter novamente esta figura no poder, como Presidente, que poderei pensar eu das cabeças que votam neste País....... Porque ainda tenho memória! Quem ouvir Cavaco Silva e não o conhecer bem, ficará a pensar que está perante alguém que nada teve a ver com a situação catastrófica em que se encontra este país. Quem o ouvir e não o conhecer bem, ficará a pensar que está perante alguém que pode efectivamente ser a solução para um caminho diferente daquele até aqui seguido. Só que... Este senhor, ou sofre de amnésia, ou tem como adquirido que nós portugueses temos todos a memória curta, eu diria mesmo, muito curta. Vejamos, então qual o contributo de Cavaco Silva para que as coisas estejam como estão e não de outra maneira: Cavaco Silva foi ministro das finanças entre 1980 e 1981 no governo da AD. Foi primeiro-ministro de Portugal entre 1985 e 1995 (10 anos!!!). Cavaco Silva foi só a pessoa que mais tempo esteve na liderança do governo neste país desde o 25 de Abril. É presidente da República desde 2005 até hoje (5 anos) Por este histórico, logo se depreende que este senhor nada teve a ver com o estado actual do país. Mas vejamos quais foram as marcas deixadas por Cavaco Silva nestes anos todos de andanças pelo poder: Cavaco Silva enquanto primeiro-ministro alterou drasticamente as práticas na economia, nomeadamente reduzindo o intervencionismo do Estado, atribuindo um papel mais relevante à iniciativa privada e aos mecanismos de mercado. Foi Cavaco Silva quem desferiu o primeiro ataque sobre o ensino “tendencialmente gratuíto”. Foi Cavaco Silva o pai do famoso MONSTRO com a criação de milhares de “jobs” para os “boys” do PPD/PSD e amigos. Além de ter inserido outros milhares de “boys” a recibos verdes no aparelho do Estado, Foi no “consulado Cavaquista” que começou a destruição do aparelho produtivo português. Em troca dos subsídios diários vindos da então CEE, começou a aniquilar as Pescas, a Agricultura e alguns sectores da Indústria. Ou seja: começou exactamente com Cavaco Silva a aniquilação dos nossos recursos e capacidades. Durante o “consulado Cavaquista”, entravam em Portugal muitos milhões de euros diáriamente como fundos estruturais da CEE. Pode-se afirmar que foram os tempos das “vacas gordas” em Portugal. Como foram aplicados esses fundos? O que se investiu na saúde? E na educação? E na formação profissional? Que reforma se fez na agricultura? O que foi feito para o desenvolvimento industrial? A situação actual do país responde a tudo isto! NADA! Mas então como foi gasto o dinheiro? Simplesmente desbaratado sem rigor nem fiscalização pela incompetência do governo de Cavaco Silva. Tal como eu, qualquer habitante do Vale do Ave, minimamente atento, sabe como muitos milhões vindos da CEE foram “surripiados” com a conivência do governo “Cavaquista”. Basta lembrar que na época, o concelho de Felgueiras era o local em Portugal com mais Ferraris por metro quadrado. Quando acabaram os subsídios da CEE, onde estava a modernização e o investimento das empresas? Nos carros topo de gama, nas casas de praia em Esposende, Ofir, etc. Etc. Quanto às empresas... Essas faliram quase todas. Os trabalhadores - as vítimas habituais destas malabarices patronais - foram para o desemprego, os “chico-espertos” que desviaram o dinheiro continuaram por aí como se nada se tivesse passado. Quem foi o responsável? Óbviamente, Cavaco Silva e os seus ministros! Quanto à formação profissional... Talvez ainda possamos perguntar a Torres Couto como se fartou de ganhar dinheiro durante o governo Cavaquista, porque é que teve que ir a tribunal justificar o desaparecimento de milhões de contos de subsídios para formação profissional. Talvez lhe possamos perguntar: como, porquê e para quê, Cavaco Silva lhe “ofereceu” esse dinheiro. Foi também o primeiro-ministro Cavaco Silva que em 1989 recusou conceder ao capitão de Abril, Salgueiro Maia, quando este já se encontrava bastante doente, uma pensão por “Serviços excepcionais e relevantes prestados ao país”, isto depois do conselho Consultivo da Procuradoria Geral da República ter aprovado o parecer por unanimidade. Mas foi o mesmo primeiro-ministro Cavaco Silva que em 1992, assinou os pedidos de reforma de 2 inspectores da polícia fascista PIDE/DGS, António Augusto Bernardo, último e derradeiro chefe da polícia política em Cabo Verde, e Óscar Cardoso, um dos agentes que se barricaram na sede António Maria Cardoso e dispararam sobre a multidão que festejava a liberdade. Curiosamente, Cavaco Silva, premiou os assassinos fascistas com a mesma reforma que havia negado ao capitão de Abril Salgueiro Maia, ou seja: por “serviços excepcionais ou relevantes prestados ao país". Como tenho memória, lembro-me também que Cavaco Silva e o seu “amigo” e ministro Dias Loureiro foram os responsáveis por um dos episódios mais repressivos da democracia portuguesa. Quando um movimento de cidadãos, formado de forma espontânea, se juntou na Ponte 25 de Abril, num "buzinão" de bloqueio, em protesto pelo aumento incomportável das portagens. Dias Loureiro (esse mesmo do BPN e que está agora muito confortávelmente em Cabo Verde), com a concordância do chefe, Cavaco Silva, ordenou uma despropositada e desproporcional carga policial contra os manifestantes. Nessa carga policial “irracional”, foi disparado um tiro contra um jovem, que acabou por ficar tetraplégico. Era assim nos tempos do “consulado Cavaquista”, resolvia-se tudo com a repressão policial. Foi assim na ponte, foi assim com os mineiros da Marinha Grande, foi assim com os estudantes nas galerias do Parlamento... Foi ainda no reinado do primeiro-ministro Cavaco Silva, que o governo vetou a candidatura de José Saramago a um prémio literário europeu por considerar que o seu romance “O Evangelho segundo Jesus Cristo” era um ataque ao património religioso nacional. Este veto levou José Saramago a abandonar o país para se instalar em Lanzarote, na Espanha, onde viveu até morrer. Considerou Saramago, que não poderia viver num país com censura. Cavaco Silva foi o Presidente da República nos últimos 5 anos. Sendo ele o dono da famosa frase: “nunca tenho dúvidas e raramente me engano”, como é que deixou Portugal chegar até à situação em que se encontra? Mais! Diz a sabedoria popular: “diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és.” Bem... Alguns dos ministros, amigos, apoiantes e financiadores das suas campanhas eleitorais não abonam nada a seu favor. Embora, na minha opinião, esta gente reflete exactamente a essência do Cavaquismo. Oliveira e Costa - Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do governo Cavaquista entre 1985 e 1991. Ex presidente do famoso BPN. A história deste fulano já é mais conhecida que os tremoços, nem vale a pena escrever mais nada. Dias Loureiro - Ministro dos governos Cavaquistas. Assuntos Parlamentares entre1987 e 1991, Administração Interna entre1991 e 1995. Associado aos crimes financeiros do BPN, com ligações ainda não clarificadas ao traficante de armas libanês, Abdul Rahman El-Assir, de quem é grande amigo. Foi conselheiro de estado por nomeação directa de Cavaco Silva, função que ocupou com a “bênção” de Cavaco, até já não ser possível manter-se no lugar devido às pressões políticas e judiciais. Encontra-se actualmente, muito confortavelmente a viver em Cabo Verde. Ferreira do Amaral - Ministro dos governos Cavaquistas. Comércio e Turismo, entre 1985 e 1990, Obras Públicas, Transportes e Comunicações entre 1990 e 1995. Foi nesta condição (ministro das obras públicas do governo Cavaquista) que assinou os contratos de construção da Ponte Vasco da Gama com a Lusoponte, e a concessão (super-vantajosa para a Lusoponte) de 40 anos sobre as portagens das duas pontes de Lisboa. Ferreira do Amaral é actualmente presidente do conselho de administração da Lusoponte. (Apenas por mera coincidência...) Duarte Lima - Lider da bancada do PPD/PSD durante o Cavaquismo. Envolvido em transacções monetárias “estranhas” no caso Lúcio Tomé Feteira. A juntar a isto tudo (e que já não é pouco!), tenho ainda a opinião de que Cavaco Silva é demasiado inculto e arrogante. O que na minha opinião são atributos dispensáveis para um Presidente da República. Por estas e por outras, e porque ainda tenho memória, jamais votaria em Cavaco Silva. 

 Artigo de Rogério Leite Ferreira, In bandeira-vermelha.blogs.sapo.pt 

20121121

Assim começou o despesismo, com os governos de maioria absoluta do PSD

Para recordar e não esquecer !! O povo iludido a pensar que ele trazia o progresso, com o dinheiro da União Europeia, conseguido com muito custo por outros governantes. Assim começou a época negra do cavaquismo maioritário.

20121116

Segurança de Passos volta a travar jornalistas

O chefe de segurança do Primeiro-Ministro !

AS RAZÕES DA MINHA DESFILIAÇÃO DO PSD

Venho, por este meio, dar a conhecer a todos os munícipes do concelho de Abrantes o meu pedido de desfiliação do PSD, porque considero importante que todos saibam as razões que o motivaram para que não se deixem cair no mesmo logro em que eu caí.

Ex.mo Senhor
Secretário-Geral do Partido Social Democrata

Eu, Elsa Maria da Costa Cardoso, professora, militante nº188534, residente na Rua de Angola, nº6 - 2ºEsq, CP 2200-390 Abrantes, venho requerer a V. Ex.ª a minha desfiliação do partido, com base nos seguintes fundamentos:

Desde tenra idade, o PSD constituiu, para mim, um referencial ideológico.

Assisti, com profunda mágoa e consternação, ao trágico acidente que vitimou, entre outros, o Sr. Dr. Francisco Sá Carneiro, para mim um líder, no verdadeiro sentido da palavra.

Após ter sido candidata à Câmara Municipal de Abrantes nas últimas autárquicas, decidi filiar-me no PSD por estar absolutamente convencida de que se tratava de um partido para o qual a palavra "democracia" não era uma palavra vã com que se enganam os tolos, mas, sim, um verdadeiro princípio estruturante.

Pelos vistos, foi a pior altura para o ter feito, pois enganei-me redondamente.

Pelo menos, no que diz respeito à secção de Abrantes.

Assisti aqui a coisas tão inacreditáveis que nunca me passaria pela cabeça que tais fossem possíveis de acontecer num partido fascista ou comunista, quanto mais num partido que se afirma de democrático.

Como pode o PSD aplaudir o discurso de Cavaco Silva quando este afirma que se deve dar preferência ao mérito, quando dentro do próprio partido não se segue esse critério, favorecendo-se todo o tipo de truques baratos?

No dia 25 de Fevereiro (6ª Feira), recebi, por mail, a convocatória de eleições para a concelhia informando-me de que se iriam realizar no dia seguinte, ou seja, no dia 26 de Fevereiro (sábado).

E, como se isso não bastasse, ainda se deram ao gozo de me informar que: «as listas de candidatos deverão ser apresentadas ao Presidente da Mesa da Assembleia até às 24 horas do terceiro dia anterior ao do acto eleitoral» (????!!!!...).

Que partido/secção é este(a) onde ninguém informa que a comissão política se tinha demitido e que iria haver eleições? Tantos comunicados a propósito de coisa nenhuma e tantos mails e sms repetidos a convocar para todo o tipo de acontecimentos partidários e nem um dando conta da demissão da comissão política e da data das eleições?!...

E que partido/CPS é este(a) onde se envia a convocatória aos militantes na véspera da eleição e ainda se tem o descaramento de os informar de que o prazo para apresentação de listas (e, consequentemente, para o pagamento de quotas) já tinha terminado?

Isto é gozar literalmente com os militantes do PSD.

Ora, eu não me filiei no PSD para ser gozada.

Além disso, não estamos a falar de comportamentos anti-democráticos de militantes individuais, o que já seria grave num partido que professa os valores das democracias ocidentais.

Estamos a falar de comportamentos assumidos e desenvolvidos pelos presidentes das próprias estruturas locais do partido (membros e ex-membros de órgãos distritais), com a conivência dos seus órgãos sociais, que deviam ser o garante dos valores que professa o partido.

E segundo vim a saber por outros militantes do partido, já ninguém estranha este tipo de comportamentos, uma vez que são absolutamente normais (?!...)

No último plenário, realizado no passado sábado dia 19 de Março, então ultrapassou-se o limite do inimaginável.

Os "donos do partido" em Abrantes de que a nova comissão política aceitou ser o simples porta-voz, para além de monopolizarem e controlarem o plenário, usando da palavra quando queriam e lhes apetecia, para ofenderem sistematicamente e completamente a despropósito os vereadores do PSD e quem estava com eles, tentaram impedir por todos os meios o vereador Santana Maia de falar, com vaias, gritos e sempre a interrompê-lo, pedindo à mesa para lhe retirar a palavra, e impediram o militante José Oliveira de se defender, fazendo com que este, revoltado e indignado, abandonasse a sala.

Por sua vez, eu fui impedida de completar a minha intervenção, interrompendo-me a meio, com gritos e ofensas verbais.

Só faltou mesmo ser agredida.

Tenho 43 anos, sou professora há mais de dez anos, já participei em muito colóquios, assembleias e plenários, inclusive promovidos por partidos políticos e, apesar de saber que "os donos" do PSD de Abrantes têm uma forma muito pouco educada de mostrar a sua militância, nunca me passou pela cabeça que isto a que assisti fosse possível de acontecer num partido anti-democrático, quanto mais num partido que todos os dias acusa José Sócrates de criar um clima de claustrofobia democrática... 

Nunca fui tão humilhada na minha vida.

Fiquei, pelo menos, a perceber por que razão um grupo tão reduzido de pessoas com quem ninguém simpatiza consegue mandar na concelhia de Abrantes, quando lhes cheira a poder.

O método usado é o mesmo que foi utilizado pelos comunistas nos períodos revolucionários: geram um clima de afrontamento, vaias e ofensas verbais que levam os seus opositores a afastarem-se, ficando eles em maioria e com o palco só para si.

Faço minhas as palavras finais da intervenção do vereador Santana Maia: «Como pode um partido prometer, com seriedade, a regeneração do país, quando não consegue sequer regenerar-se a si próprio? Se o PSD quer, na verdade, ser o motor da regeneração do país então deve começar pelo princípio. Ou seja, por si próprio. Até porque não há outra forma de começar.»

Ora, um partido que se conforma e aceita que os seus dirigentes concelhios (quer os que dão a cara, quer os que o controlam na sombra) se comportem desta maneira vergonhosa, à luz dos mais elementares e estruturantes valores de um partido democrático, só pode significar que o PSD está profundamente doente, tendo-se deixado contaminar pelo mal socialista que tomou conta deste país.

Consequentemente, tendo constatado, por experiência própria, que, ao contrário do que julgava, o PSD não pratica os mais elementares princípios democráticos de que se arroga nos seus estatutos e no seu programa, não posso, em nome das minhas convicções e valores, continuar a ser militante deste partido.

E se é com estas pessoas que o PSD quer regenerar o país, então ainda vamos ter saudades de José Sócrates.   

Pelo exposto, venho solicitar a minha desfiliação do PSD porque não me reconheço num partido que pactua com este tipo de comportamentos e, sobretudo, em que são os seus próprios dirigentes, a quem cabia o especial dever de defender, respeitar e fazer cumprir os princípios democráticos de que se arroga nos estatutos, a violá-los de forma grosseira, descarada e vergonhosa.
           
Abrantes, 21 de Março de 2011

A canalha fascista que governa este País desde 21 de Junho de 2011


Depois de apresentado o OE para 2013 na A.R., sendo que não foram atendidos por este governo os avisos dados pelo próprio FMI, por Lagarde e outros mafiosos mundiais, sobre os perigos de austeridade a mais, o governo de Passos Coelho e Vítor Gaspar, dois iluminados merceeiros sem qualquer capacidade para gerirem seja o que for – dado os contínuos erros cometidos sem qualquer emenda -, quanto mais um País mesmo perqueno como Portugal, apenas resta deduzir que, a passar este OE 2013 mesmo que posteriormente remendado pelos putativos “representantes” do Povo (meus não são porque não votei em nenhum deles nem nos partidos que os empregam), o Presidente da República Portuguesa, Aníbal Cavaco Silva, será RESPONSÁVEL e CONIVENTE com a catástrofe que se vai abater sobre Portugal e os Portugueses a nível económico, social, laboral e cívico.
Neste momento de grande tensão social, apenas resta ao Presidente da República uma atitude digna do seu estatuto de garante da ordem, da democracia, do bem estar dos Portugueses e do futuro de Portugal: DEMITIR IMEDIATAMENTE ESTE GOVERNO POR COMPLETA INCOMPETÊNCIA E INCAPACIDADE GOVERNATIVA, demonstrada ao logo de 16 meses de completa desgovernação.
Fica aqui a notícia sobre este OE 2013 com os respectivos links para consulta. Não sei se regressarei a este Blogue nos próximos tempos porque tenho de organizar a minha vida e a da minha Família face a este colossal roubo que me acabam de anunciar. Obrigado a todos aqueles que por aqui passaram e um até breve ou um até sempre.

 In: http://cidadaniaverticalidades.wordpress.com/2012/10/16/a-canalha-fascista-que-governa-este-pais-desde-21-de-junho-de-2011/

20120330

Mário Soares em 1986 a derrotar o candidato apoiado pelos fascistas

O homem que destruiu Portugal

O venerado chefe fascista que destruiu a economia portuguesa em 30 anos. É este o culpado!

Fascistas da AD no início dos anos 80 a aterrorizar os portugueses

O que faziam os fascistas do PSD e do CDS no início dos anos 80.



20101126

Cavaco "destruiu" o PSD de Sá Carneiro, aumentou o peso do Estado e foi autoritário

Por Maria José Oliveira

José Miguel Júdice, da comissão de honra da candidatura de Cavaco, reflecte sobre o legado do fundador do PSD. O Presidente foi um dos "coveiros" do pensamento estratégico de Sá Carneiro

Excertos de O meu Sá Carneiro, de José Miguel Júdice

Ao longo dos últimos 30 anos, o pensamento político de Francisco Sá Carneiro desapareceu no PSD, apesar de as sucessivas lideranças invocarem constantemente o legado do fundador do partido. Mas terá sido nos governos de Cavaco Silva (1985/1995) que a mensagem política de Sá Carneiro foi completamente banida. Em 10 anos, assistiu-se à acentuada alteração da "matriz ideológica" do PSD, à "destruição do pensamento estratégico" do antigo primeiro-ministro da AD e à "mudança da natureza sociológica" do partido.

Um retrato muito pouco simpático de Cavaco Silva e do consulado cavaquista consta do livro O meu Sá Carneiro - Reflexões sobre o seu pensamento político (D. Quixote), do advogado José Miguel Júdice, que, à semelhança do que aconteceu nas últimas presidenciais, voltou a ser convidado para integrar a Comissão de Honra da recandidatura do Presidente da República. A obra chega às livrarias no fim-de-semana e será apresentada no dia 30, às 18h30, no El Corte Inglés, por Manuel Braga da Cruz, reitor da Universidade Católica.

Cavaco Silva, que "entrou na cena política como o verdadeiro herdeiro" de Sá Carneiro, "procurando assumir o seu estilo frontal e sem cedências", acabou por transformar o PSD num partido "feito à sua imagem e semelhança: um partido tecnocrático, um catch all party, ou seja, um partido sem fronteiras, onde todos poderiam vir plantar a sua tenda, desde que aceitassem a liderança indiscutida do então primeiro-ministro, e assim ajudassem a conquistar votos e a manter suseranias".

O livro, que também reproduz excertos de uma conferência dada por Júdice em 1981, quando se filiou no PSD, serviu para o autor reflectir sobre "o que falhou" nas últimas três décadas. E as falhas, que provocaram a "destruição do edifício" que Sá Carneiro tinha começado a construir, não são notórias apenas nos governos de Cavaco, mas também no Bloco Central, na governação de António Guterres e de Durão Barroso.

Contudo, Júdice dedica grande parte do capítulo A herança desbaratada a Cavaco, notando que, a partir de 85, as mudanças no PSD aproximaram-no do PS e dissiparam o legado de Sá Carneiro. Ao ponto de o PSD, nos dias de hoje, se apresentar como um partido "feudalizado, com militantes criados aos milhares para as trocas políticas". "Cavaco Silva fez um partido de consumidores e abdicou da bipolarização", afirma Júdice ao PÚBLICO, qualificando ainda o Presidente como "um grande político, que não é ideólogo, e que olha para a sociedade civil com uma certa suspeição". Entre 85 e 95, com duas maiorias absolutas, o então primeiro-ministro "aumentou o peso do Estado e apresentou-se como um líder autoritário, não permitindo a libertação da sociedade civil, como Sá Carneiro sempre defendera".

Ou seja, "desperdiçou" 10 anos: "Teve poder e tinha dinheiro a rodos. Se o Estado tivesse emagrecido, se ele tivesse alterado a lei laboral e libertasse a sociedade civil, hoje estaríamos melhor." "Com Cavaco teria podido ser diferente", lê-se no final do livro. Não foi.

In: http://jornal.publico.pt/noticia/25-11-2010/cavaco-destruiu-o-psd-de-sa-carneiro--aumentou-o-peso-do-estado-e-foi-autoritario-20691288.htm?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+JornalPublico+%28P%C3%9ABLICO+-+Edi%C3%A7%C3%A3o+Impressa

20101029

Os cinco cavacos

Cavaco Silva apresenta hoje a sua recandidatura. Foi ministro quando eu tinha 11 anos. Pode sair da Presidência quando eu tiver 46. Ele é o maior símbolo de tantos anos perdidos. E aqui se fala das suas cinco encarnações.

Sem contar com a sua breve passagem pela pasta das Finanças, conhecemos cinco cavacos. Mas todos os cavacos vão dar ao mesmo.

O primeiro Cavaco foi primeiro-ministro. Esbanjou dinheiro como se não houvesse amanhã. Desperdiçou uma das maiores oportunidades de deste País no século passado. Escolheu e determinou um modelo de desenvolvimento que deixou obra mas não preparou a nossa economia para a produção e a exportação. O Cavaco dos patos bravos e do dinheiro fácil. Dos fundos europeus a desaparecerem e dos cursos de formação fantasmas. O Cavaco do Dias Loureiro e do Oliveira e Costa num governo da Nação. Era também o Cavaco que perante qualquer pergunta complicada escolhia o silêncio do bolo rei. Qualquer debate difícil não estava presente, fosse na televisão, em campanhas, fosse no Parlamento, a governar. Era o Cavaco que perante a contestação de estudantes, trabalhadores, polícias ou utentes da ponte sobre o Tejo respondia com o cassetete. O primeiro Cavaco foi autoritário.

O segundo Cavaco alimentou um tabu: não se sabia se ficava, se partia ou se queria ir para Belém. E não hesitou em deixar o seu partido soçobrar ao seu tabu pessoal. Até só haver Fernando Nogueira para concorrer à sua sucessão e ser humilhado nas urnas. A agenda de Cavaco sempre foi apenas Cavaco. Foi a votos nas presidenciais porque estava plenamente convencido que elas estavam no papo. Perdeu. O País ainda se lembrava bem dos últimos e deprimentes anos do seu governo, recheados de escândalos de corrupção. É que este ambiente de suspeita que vivemos com Sócrates é apenas um remake de um filme que conhecemos. O segundo Cavaco foi egoísta.

O terceiro Cavaco regressou vindo do silêncio. Concorreu de novo às presidenciais. Quase não falou na campanha. Passeou-se sempre protegido dos imprevistos. Porque Cavaco sabe que Cavaco é um bluff. Não tem pensamento político, tem apenas um repertório de frases feitas muito consensuais. Esse Cavaco paira sobre a política, como se a política não fosse o seu ofício de quase sempre. Porque tem nojo da política. Não do pior que ela tem: os amigos nos negócios, as redes de interesses, da demagogia vazia, os truques palacianos. Mas do mais nobre que ela representa: o confronto de ideias, a exposição à critica impiedosa, a coragem de correr riscos, a generosidade de pôr o cargo que ocupa acima dele próprio. Venceu, porque todos estes cavacos representam o nosso atraso. Cavaco é a metáfora viva da periferia cultural, económica e politica que somos na Europa. O terceiro Cavaco é vazio.

O quarto Cavaco foi Presidente. Teve três momentos que escolheu como fundamentais para se dirigir ao País: esse assunto que aquecia tanto a Nação, que era o Estatuto dos Açores; umas escutas que nunca existiram a não ser na sua cabeça sempre cheia de paranóicas perseguições; e a crítica à lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo que, apesar de desfazer por palavras, não teve a coragem de vetar. O quarto Cavaco tem a mesma falta de coragem e a mesma ausência de capacidade de distinguir o que é prioritário de todos os outros.

Apesar de gostar de pensar em si próprio como um não político, todo ele é cálculo e todo o cálculo tem ele próprio como centro de interesse. Este foi o Cavaco que tentou passar para a imprensa a acusação de que andaria a ser vigiado pelo governo, coisa que numa democracia normal só poderia acabar numa investigação criminal ou numa acção política exemplar. Era falso, todos sabemos. Mas Cavaco fechou o assunto com uma comunicação ao País surrealista, onde tudo ficou baralhado para nada se perceber. Este foi o Cavaco que achou que não devia estar nas cerimónias fúnebres do único prémio Nobel da literatura porque tinha um velho diferendo com ele. Porque Cavaco nunca percebeu que os cargos que ocupa estão acima dele próprio e não são um assunto privado. Este foi o Cavaco que protegeu, até ao limite do imaginável, o seu velho amigo Dias Loureiro, chegando quase a transformar-se em seu porta-voz. Mais uma vez e como sempre, ele próprio acima da instituição que representa. O quarto Cavaco não é um estadista.

E agora cá está o quinto Cavaco. Quando chegou a crise começou a sua campanha. Como sempre, nunca assumida. Até o anúncio da sua candidatura foi feito por interposta pessoa. Em campanha disfarçada, dá conselhos económicos ao País. Por coincidência, quase todos contrários aos que praticou quando foi o primeiro Cavaco. Finge que modera enquanto se dedica a minar o caminho do líder que o seu próprio partido, crime dos crimes, elegeu à sua revelia. Sobre a crise e as ruínas de um governo no qual ninguém acredita, espera garantir a sua reeleição. Mas o quinto Cavaco, ganhe ou perca, já não se livra de uma coisa: foi o Presidente da República que chegou ao fim do seu primeiro mandato com um dos baixos índices de popularidade da nossa democracia e pode ser um dos que será reeleito com menor margem. O quinto Cavaco não tem chama.

Quando Cavaco chegou ao primeiro governo em que participou eu tinha 11 anos. Quando chegou a primeiro-ministro eu tinha 16. Quando saiu eu já tinha 26. Quando foi eleito Presidente eu tinha 36. Se for reeleito, terei 46 quando ele finalmente abandonar a vida política. Que este homem, que foi o politico profissional com mais tempo no activo para a minha geração, continue a fingir que nada tem a ver com o estado em que estamos e se continue a apresentar com alguém que está acima da politica é coisa que não deixa de me espantar. Ele é a política em tudo que ela falhou. É o símbolo mais evidente de tantos anos perdidos.

In: http://aeiou.expresso.pt//os-cinco-cavacos=f611450

20100813

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