20150510
Fascismo: Um perigo real a tomar a sério
Em numerosos países e de forma particular nas cidadelas do capitalismo – Europa e América – multiplicam-se e ganham intensidade as organizações, manifestações e propaganda fascista e fascizante.
A influência e a impunidade de que gozam não param de crescer. Algumas destas organizações alcançaram percentagens eleitorais altamente significativas. A sua influência a nível dos órgãos de poder, de forma aberta ou encoberta, acentua-se e alguns partidos neo-fascistas têm integrado governos na União Europeia.
Simultaneamente perseguem-se comunistas e sectores democráticos. Procura-se criminalizar o comunismo e elevar o anti-comunismo à categoria de ideologia de Estado. Limitam-se direitos dos trabalhadores e as liberdades em geral.
O fascismo não é coisa do passado, nem é um fenómeno episódico. A existência do fascismo tem uma base objectiva: o sistema capitalista. As expressões mais ou menos virulentas do fascismo têm a ver com o agudizar das crises do capitalismo e sua capacidade para encontrar, ou não, saídas para a crise por meios ditos democráticos.
O fascismo não é, consequentemente, uma forma política-ideológica separada do poder económico, que determina a natureza do poder.
A experiência portuguesa – passada e presente – é, a este respeito, bastante esclarecedora. Em Abril de 1974, o povo português pôs fim à mais longa ditadura fascista que o mundo conheceu. Uma ditadura fascista que ao fim de 48 anos de opressão deixou um rasto de assassinatos e dezenas de milhares de antifascistas presos e torturados. Uma ditadura que sobreviveu à derrocada do nazi-fascismo no final da II Guerra Mundial com a a ajuda determinante das chamadas democracias ocidentais – Inglaterra e América –, para quem a sobrevivência do fascismo português (e também espanhol), campeão do anti-comunismo, se lhes apresentava como aliado estratégico de particular importância.
Sendo o fascismo português o governo terrorista dos monopólios e dos grupos financeiros e dos agrários associados ao imperialismo estrangeiro – os grandes beneficiários da ditadura e seu suporte social fundamental – a revolução antifascista não poderia limitar-se a mudar o regime político. Teria obrigatoriamente de liquidar o poder económico do fascismo, como condição para a defesa das liberdades e do próprio regime democrático. Foi isto que fez a Revolução de Abril de 1974 em Portugal, derrubando a ditadura fascista e liquidando o capitalismo monopolista de Estado, procedendo à nacionalização de todos os sectores básicos da economia e à reforma agrária.
Apesar da enorme resistência ao desmantelamento do Estado fascista, resistência de fascistas e de sectores democráticos temerosos com as transformações sociais e as conquistas do movimento operário, a revolução, ainda que não tivesse ido tão longe quanto necessário à defesa do regime democrático, procedeu ao desmantelamento do partido fascista, da polícia política, das organizações paramilitares e das estruturas corporativas-fascistas. A Constituição da República Portuguesa, aprovada em 1976, consagrou a proibição de organizações e propaganda fascistas e racistas.
As organizações que procuraram reagrupar as forças fascistas de forma «legal» (Partido da Democracia Cristã, Partido do Progresso), ou de forma ilegal e clandestina (Movimento Independente para a Reconstrução Nacional – MIRN; Movimento Democrático de Libertação de Portugal – MDLP), que se lançaram na acção terrorista, foram derrotadas e desmanteladas.
Com o avanço da contra-revolução, a restauração dos grandes grupos económicos e financeiros, a subordinação dos interesses de Portugal aos ditames da União Europeia e da NATO, e a consequente degradação da situação económica e social e perda de soberania nacional, começou a proliferar a propaganda dita patriótica e nacionalista, bem como organizações ilegais e semi-ilegais – Movimento de Acção Nacional, Frente Nacional, Direita Nacional, «Skineheads» – assumidamente fascistas, adoradores de Hitler e de Salazar, combatentes anti-comunistas e racistas.
Organizações que, embora minúsculas do ponto de vista da adesão alcançada, levaram a cabo acções provocatórias contra forças progressistas e imigrantes, que se traduziram nos assassinatos de um activista de esquerda e de um negro cabo-verdiano (1995).
A partir de Abril de 2000 opera-se uma mudança qualitativa na actividade das organizações fascistas com a criação do Partido Nacional Renovador (PNR), agregador das diferentes organizações neo-nazis e sua cobertura legal, tendo nas suas fileiras assumidamente dirigentes daquelas organizações, incluindo «Skinheads».
Não tendo conseguido recolher as 5000 assinaturas necessárias na altura à legalização de um partido político, os neo-nazis ultrapassaram este obstáculo formal comprando a sigla e a logística de um partido desactivado e endividado, o PRD (Partido Renovador Democrático), passando a ter, deste modo, sedes, concorrer às eleições, realizar manifestações públicas e acesso a tempo de antena sob a sigla do PNR.
Formalmente o PNR assume-se como «partido de direita nacionalista», que tem por objectivo «a justiça social», «o combate ao capitalismo selvagem, ao comunismo e à luta de classes» e a «defesa da pátria» subordinada às ordens de Bruxelas. As suas acções práticas têm um forte cunho xenófobo e racista, reivindicando a expulsão dos imigrantes, considerados invasores da pátria.
Tendo como «guia e mestre» Jean Marie Le Pen e a sua Frente Nacional, mantém relações internacionais com organizações neo-nazis em quase toda a Europa. Em 2007, coincidindo com o aniversário de Hitler esteve agendado para Portugal um Encontro Internacional de organizações fascistas, que não se chegou a realizar devido à forte reacção democrática e popular contra a sua realização.
Sendo embora de composição social heterogénea, no PNR predominam elementos da pequena-burguesia (funcionários públicos, comerciantes, industriais, professores e jovens universitários), com nula ou quase nula expressão nos meios operários.
A visibilidade mediática e os meios financeiros de que dão mostra são desmedidos em relação à fraca mobilização que conseguem nas ruas e actos públicos (100/200 pessoas). Os resultados eleitorais para a Assembleia da República, apesar de pouco significativos (0,07% de votos em 2002; 0,16% em 2005; 0,36% em 2011; e 0,4% para o Parlamento Europeu, em 2009, revelam um crescimento sustentado e sendo embora pouco expressivos no universo eleitoral nacional representam, em 10 anos, um crescimento de 500%.
A benevolência, a impunidade e mesmo a cumplicidade de que gozam por parte dos poderes constituídos é flagrante, em contraste com as acções repressivas contra as manifestações populares de combate às políticas de direita.
Com excepção de algumas prisões e condenações de elementos dos «skinheads» implicados nos assassinatos de 1995, dos cerca de 30 presos da Frente Nacional/PNR apenas um dirigente foi condenado por possuir um arsenal de armas ilegais.
Os perigos de soluções antidemocráticas e fascistas não podem ser avaliados apenas, ou fundamentalmente, pelo número de organizações fascistas, sua influência e activismo, na medida em que estas organizações não passam da parte visível de um «icebergue» muito mais vasto, com extensões ao poder político e económico.
Os partidos de direita constituídos depois do 25 de Abril – Centro Democrático Social (CDS) e Partido Social Democrata (PSD) – absorveram grande número de elementos fascistas, reciclados de democratas. Ministros fascistas já integraram Governos do CDS, PSD e mesmo do Partido Socialista.
Destacados responsáveis do regime fascista e agentes da polícia política foram reintegrados na Administração Pública por Governos destes partidos. Cavaco Silva, actual Presidente da República, concedeu enquanto Primeiro-Ministro pensões de mérito a agentes da polícia política fascista, «por altos serviços prestados à pátria».
A reconstituição dos grandes grupos económicos e financeiros, a destruição das grandes conquistas democráticas, o agravamento da crise económica e social socavam a base social de apoio ao regime democrático, abrindo caminho a intensa campanha contra a política e os políticos e instituições democráticas (Assembleia da República e Tribunal Constitucional), «caldo de cultura» propício ao desenvolvimento de acções reaccionárias. Campanha esta que é acompanhada de uma outra campanha de branqueamento do fascismo, de negação dos seus crimes e reabilitação de Salazar. «Historiadores» e politólogos negam mesmo ter havido fascismo em Portugal.
Os sistemas de informações e repressão de Portugal, integrados num vasto e sofisticado aparelho repressivo de âmbito internacional, são cada vez mais governamentalizados e entrelaçados com grupos económicos e financeiros e, actuando à margem das instituições democráticas, assumem funções de polícia política, vigiando organizações políticas de esquerda, sindicais e manifestações populares contra a política de direita.
Os sentimentos antifascistas em Portugal continuam muito vivos. A palavra de ordem «Fascismo Nunca Mais» e «25 de Abril Sempre», continua a ter enorme adesão. O barrar do caminho ao fascismo exige medidas práticas que ataquem as suas causas: as políticas de direita, o poder dos grandes grupos económicos e financeiros, a crise económica e social.
Etiquetas:
Fascista,
PSD fascista,
queixa PPD/PSD,
radicais
20150111
O dia em que os portuenses evitaram que o Menezes fosse para a câmara municipal.
Um discurso que já tinha um atraso de 16 anos, mas mais vale tarde do que nunca. O Porto conseguiu evitar o despesismo e populismo fácil. Foi pena que os gaienses não tenham aberto os olhos antes e tenham mantido este indivíduo no poder, na sua câmara, durante longos 16 anos, onde tudo se gastou, tendo a autarquia ficado à beira da falência.
Etiquetas:
Menezes,
PPD/PSD,
PSD fascista,
Rui Rio,
Vila Nova de Gaia
20141207
Uma ilusão chamada “velho PSD”
Em vésperas do 25 de Abril, um grupo de políticos afastou-se apressadamente da
Acção Nacional Popular para poder reaparecer após a implantação do regime
democrático sob uma nova veste. A agitação posterior revelou que a designação
escolhida — Partido Popular Democrático (PPD) — não era a mais apelativa para se
alçar ao poder. Por isso, a formação recém-criada foi então rebaptizada (com um
erro ortográfico para todo o sempre): Partido Social Democrata (em lugar de
Democrático).
Este grupo de políticos e profissionais liberais, que se uniu para representar a finança e a grande indústria, atraiu a si as forças vivas recauchutadas do Estado Novo e as camadas da população atemorizadas pelo inócuo preâmbulo da Constituição (“abrir caminho para uma sociedade socialista”): catedráticos e analfabetos, patos bravos e publicistas, chupistas do Estado e cantores-pimba, negociantes de ocasião e autoridades locais.
É esta amálgama quase obscena que permite ao PSD aparecer com sucessivas máscaras — até como pregoeiro da “social-democracia”. A verdade é que ter ilusões sobre a sua natureza só conduz a deixar a esquerda desarmada. Vê-se com alguma frequência figuras proeminentes da oposição a fazer apelos ao “velho PSD” — como o fez João Ribeiro, porta-voz do PS, numa entrevista ao Expresso na última semana (na resposta reproduzida na imagem acima).
Acontece que o “velho PSD” anda por aí em peso. Salvo a circunstância de as suas figuras se gabarem de ser mais competentes do que estarolas de Passos Coelho, que alterações de política propõem eles? Nenhumas.
Com efeito, na “Universidade” de Verão do PSD, Marcelo subiu ao palanque para serenar as hostes após o chumbo do Tribunal Constitucional, garantindo que se há-de arranjar forma de despedir os trabalhadores do Estado. Também na “Universidade” de Verão do PSD, Alexandre Relvas, o afamado Mourinho de Cavaco, atiçou, perante o olhar incrédulo dos jotinhas, os filhos contra os pais, apelando a uma total desregulação do mercado de trabalho: “é pais a viverem à conta dos filhos” [sic], disse o protegido de Cavaco. No mesmo local, Leonor Beleza retomou o apelo do Dr. Relvas à emigração dos jovens. Santana Lopes defendeu a necessidade de uma revisão constitucional para o país poder ter uma “constituição que seja neutra, que seja isenta e independente” [sic], tema agarrado por Paulo Rangel para sustentar que a Constituição tem uma “visão demasiado conservadora”.
Onde está o “outro” PSD?
Este grupo de políticos e profissionais liberais, que se uniu para representar a finança e a grande indústria, atraiu a si as forças vivas recauchutadas do Estado Novo e as camadas da população atemorizadas pelo inócuo preâmbulo da Constituição (“abrir caminho para uma sociedade socialista”): catedráticos e analfabetos, patos bravos e publicistas, chupistas do Estado e cantores-pimba, negociantes de ocasião e autoridades locais.
É esta amálgama quase obscena que permite ao PSD aparecer com sucessivas máscaras — até como pregoeiro da “social-democracia”. A verdade é que ter ilusões sobre a sua natureza só conduz a deixar a esquerda desarmada. Vê-se com alguma frequência figuras proeminentes da oposição a fazer apelos ao “velho PSD” — como o fez João Ribeiro, porta-voz do PS, numa entrevista ao Expresso na última semana (na resposta reproduzida na imagem acima).
Acontece que o “velho PSD” anda por aí em peso. Salvo a circunstância de as suas figuras se gabarem de ser mais competentes do que estarolas de Passos Coelho, que alterações de política propõem eles? Nenhumas.
Com efeito, na “Universidade” de Verão do PSD, Marcelo subiu ao palanque para serenar as hostes após o chumbo do Tribunal Constitucional, garantindo que se há-de arranjar forma de despedir os trabalhadores do Estado. Também na “Universidade” de Verão do PSD, Alexandre Relvas, o afamado Mourinho de Cavaco, atiçou, perante o olhar incrédulo dos jotinhas, os filhos contra os pais, apelando a uma total desregulação do mercado de trabalho: “é pais a viverem à conta dos filhos” [sic], disse o protegido de Cavaco. No mesmo local, Leonor Beleza retomou o apelo do Dr. Relvas à emigração dos jovens. Santana Lopes defendeu a necessidade de uma revisão constitucional para o país poder ter uma “constituição que seja neutra, que seja isenta e independente” [sic], tema agarrado por Paulo Rangel para sustentar que a Constituição tem uma “visão demasiado conservadora”.
Onde está o “outro” PSD?
Etiquetas:
Censura,
PPD/PSD,
PSD fascista,
PSD nazi
20130616
A verdade escondida sobre CAVACO SILVA!!!
Para mim, Sérgio Lemos, este é o artigo, que mais define o Presidente que temos. Quando tivemos um Primeiro Ministro assim, e voltamos a ter novamente esta figura no poder, como Presidente, que poderei pensar eu das cabeças que votam neste País.......
Porque ainda tenho memória!
Quem ouvir Cavaco Silva e não o conhecer bem, ficará a pensar que está perante alguém que nada teve a ver com a situação catastrófica em que se encontra este país.
Quem o ouvir e não o conhecer bem, ficará a pensar que está perante alguém que pode efectivamente ser a solução para um caminho diferente daquele até aqui seguido.
Só que... Este senhor, ou sofre de amnésia, ou tem como adquirido que nós portugueses temos todos a memória curta, eu diria mesmo, muito curta.
Vejamos, então qual o contributo de Cavaco Silva para que as coisas estejam como estão e não de outra maneira:
Cavaco Silva foi ministro das finanças entre 1980 e 1981 no governo da AD.
Foi primeiro-ministro de Portugal entre 1985 e 1995 (10 anos!!!).
Cavaco Silva foi só a pessoa que mais tempo esteve na liderança do governo neste país desde o 25 de Abril.
É presidente da República desde 2005 até hoje (5 anos)
Por este histórico, logo se depreende que este senhor nada teve a ver com o estado actual do país.
Mas vejamos quais foram as marcas deixadas por Cavaco Silva nestes anos todos de andanças pelo poder:
Cavaco Silva enquanto primeiro-ministro alterou drasticamente as práticas na economia, nomeadamente reduzindo o intervencionismo do Estado, atribuindo um papel mais relevante à iniciativa privada e aos mecanismos de mercado.
Foi Cavaco Silva quem desferiu o primeiro ataque sobre o ensino “tendencialmente gratuíto”.
Foi Cavaco Silva o pai do famoso MONSTRO com a criação de milhares de “jobs” para os “boys” do PPD/PSD e amigos. Além de ter inserido outros milhares de “boys” a recibos verdes no aparelho do Estado,
Foi no “consulado Cavaquista” que começou a destruição do aparelho produtivo português. Em troca dos subsídios diários vindos da então CEE, começou a aniquilar as Pescas, a Agricultura e alguns sectores da Indústria. Ou seja: começou exactamente com Cavaco Silva a aniquilação dos nossos recursos e capacidades.
Durante o “consulado Cavaquista”, entravam em Portugal muitos milhões de euros diáriamente como fundos estruturais da CEE. Pode-se afirmar que foram os tempos das “vacas gordas” em Portugal. Como foram aplicados esses fundos?
O que se investiu na saúde? E na educação? E na formação profissional?
Que reforma se fez na agricultura? O que foi feito para o desenvolvimento industrial?
A situação actual do país responde a tudo isto! NADA!
Mas então como foi gasto o dinheiro?
Simplesmente desbaratado sem rigor nem fiscalização pela incompetência do governo de Cavaco Silva.
Tal como eu, qualquer habitante do Vale do Ave, minimamente atento, sabe como muitos milhões vindos da CEE foram “surripiados” com a conivência do governo “Cavaquista”.
Basta lembrar que na época, o concelho de Felgueiras era o local em Portugal com mais Ferraris por metro quadrado.
Quando acabaram os subsídios da CEE, onde estava a modernização e o investimento das empresas? Nos carros topo de gama, nas casas de praia em Esposende, Ofir, etc. Etc.
Quanto às empresas... Essas faliram quase todas. Os trabalhadores - as vítimas habituais destas malabarices patronais - foram para o desemprego, os “chico-espertos” que desviaram o dinheiro continuaram por aí como se nada se tivesse passado.
Quem foi o responsável? Óbviamente, Cavaco Silva e os seus ministros!
Quanto à formação profissional... Talvez ainda possamos perguntar a Torres Couto como se fartou de ganhar dinheiro durante o governo Cavaquista, porque é que teve que ir a tribunal justificar o desaparecimento de milhões de contos de subsídios para formação profissional. Talvez lhe possamos perguntar: como, porquê e para quê, Cavaco Silva lhe “ofereceu” esse dinheiro.
Foi também o primeiro-ministro Cavaco Silva que em 1989 recusou conceder ao capitão de Abril, Salgueiro Maia, quando este já se encontrava bastante doente, uma pensão por “Serviços excepcionais e relevantes prestados ao país”, isto depois do conselho Consultivo da Procuradoria Geral da República ter aprovado o parecer por unanimidade.
Mas foi o mesmo primeiro-ministro Cavaco Silva que em 1992, assinou os pedidos de reforma de 2 inspectores da polícia fascista PIDE/DGS, António Augusto Bernardo, último e derradeiro chefe da polícia política em Cabo Verde, e Óscar Cardoso, um dos agentes que se barricaram na sede António Maria Cardoso e dispararam sobre a multidão que festejava a liberdade.
Curiosamente, Cavaco Silva, premiou os assassinos fascistas com a mesma reforma que havia negado ao capitão de Abril Salgueiro Maia, ou seja: por “serviços excepcionais ou relevantes prestados ao país".
Como tenho memória, lembro-me também que Cavaco Silva e o seu “amigo” e ministro Dias Loureiro foram os responsáveis por um dos episódios mais repressivos da democracia portuguesa. Quando um movimento de cidadãos, formado de forma espontânea, se juntou na Ponte 25 de Abril, num "buzinão" de bloqueio, em protesto pelo aumento incomportável das portagens. Dias Loureiro (esse mesmo do BPN e que está agora muito confortávelmente em Cabo Verde), com a concordância do chefe, Cavaco Silva, ordenou uma despropositada e desproporcional carga policial contra os manifestantes. Nessa carga policial “irracional”, foi disparado um tiro contra um jovem, que acabou por ficar tetraplégico.
Era assim nos tempos do “consulado Cavaquista”, resolvia-se tudo com a repressão policial. Foi assim na ponte, foi assim com os mineiros da Marinha Grande, foi assim com os estudantes nas galerias do Parlamento...
Foi ainda no reinado do primeiro-ministro Cavaco Silva, que o governo vetou a candidatura de José Saramago a um prémio literário europeu por considerar que o seu romance “O Evangelho segundo Jesus Cristo” era um ataque ao património religioso nacional.
Este veto levou José Saramago a abandonar o país para se instalar em Lanzarote, na Espanha, onde viveu até morrer. Considerou Saramago, que não poderia viver num país com censura.
Cavaco Silva foi o Presidente da República nos últimos 5 anos. Sendo ele o dono da famosa frase: “nunca tenho dúvidas e raramente me engano”, como é que deixou Portugal chegar até à situação em que se encontra?
Mais! Diz a sabedoria popular: “diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és.”
Bem... Alguns dos ministros, amigos, apoiantes e financiadores das suas campanhas eleitorais não abonam nada a seu favor. Embora, na minha opinião, esta gente reflete exactamente a essência do Cavaquismo.
Oliveira e Costa - Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do governo Cavaquista entre 1985 e 1991. Ex presidente do famoso BPN.
A história deste fulano já é mais conhecida que os tremoços, nem vale a pena escrever mais nada.
Dias Loureiro - Ministro dos governos Cavaquistas. Assuntos Parlamentares entre1987 e 1991, Administração Interna entre1991 e 1995.
Associado aos crimes financeiros do BPN, com ligações ainda não clarificadas ao traficante de armas libanês, Abdul Rahman El-Assir, de quem é grande amigo.
Foi conselheiro de estado por nomeação directa de Cavaco Silva, função que ocupou com a “bênção” de Cavaco, até já não ser possível manter-se no lugar devido às pressões políticas e judiciais.
Encontra-se actualmente, muito confortavelmente a viver em Cabo Verde.
Ferreira do Amaral - Ministro dos governos Cavaquistas. Comércio e Turismo, entre 1985 e 1990, Obras Públicas, Transportes e Comunicações entre 1990 e 1995. Foi nesta condição (ministro das obras públicas do governo Cavaquista) que assinou os contratos de construção da Ponte Vasco da Gama com a Lusoponte, e a concessão (super-vantajosa para a Lusoponte) de 40 anos sobre as portagens das duas pontes de Lisboa.
Ferreira do Amaral é actualmente presidente do conselho de administração da Lusoponte. (Apenas por mera coincidência...)
Duarte Lima - Lider da bancada do PPD/PSD durante o Cavaquismo.
Envolvido em transacções monetárias “estranhas” no caso Lúcio Tomé Feteira.
A juntar a isto tudo (e que já não é pouco!), tenho ainda a opinião de que Cavaco Silva é demasiado inculto e arrogante. O que na minha opinião são atributos dispensáveis para um Presidente da República.
Por estas e por outras, e porque ainda tenho memória, jamais votaria em Cavaco Silva.
Artigo de Rogério Leite Ferreira, In bandeira-vermelha.blogs.sapo.pt
Etiquetas:
cavaco,
Cromos PSD,
Fascista,
PPD/PSD,
PSD fascista,
queixa PPD/PSD
20121204
Subscrever:
Mensagens (Atom)